quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Saco cheio

A gente perde muito tempo tentando arrumar um jeito de amar e ser amado, de ganhar dinheiro pra gastar depois, de ter um cachorro pra largar mais tarde.
As pessoas insistem em procurar sofrimento pra ter do que reclamar.
Não perdem a mania de olhar a vida do vizinho com uma pontinha de inveja.
Contam pra todo mundo as vantagens que nunca aproveitaram, ou tiveram.
E mesmo assim, parecendo o que não sabem ser, continuam bajulando os mesmos patrões, comprando os mesmo produtos que todos os outros.
Falta inovação, iniciativa, mudança.
Um pouquinho de boa vontade e,
muita, mas muita coisa pra fazer!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Um Pouco de Mim por Mim Mesma

Estou pensando em cortar o cabelo.
Detestando a cor nova que ele tomou.
Querendo jogar fora o que agora não é parte de mim.
Usando a navalha como uma arma que arrebata o que não quero mais ver.

Estou pensando em cortar o cabelo e roubar a imagem alegre de outrora.
Estou tentando encontrar em mim o que é impensavelmente proibido.
Se EU fosse eu, eu me cortaria.
Me despedaçaria em pedacinhos tão minguantes que nunca mais alguém os juntariam.
E diante de tantos eus, vislumbro o egoismo mais latente que há em meu mísero ser.
Hoje eu me desgosto com um desgostar rasgante.
Me imagino como a prostituta da Montanha,
tão bela, tão suja, tão ela!

Eu não mereço ser genial.
Não almejo ser ímpar.
Quero estar entre os hiatos.
Separada.
Sozinha.
Silenciosa.

Eu não peço favores.
Não acho justo delegar aos outros o que cabe a mim conquistar.
Não tolero o vitimamismo, o sentimento de culpa, nem mesmo a superioridade exposta de alguns.

Eu comigo mesma me entendo perfeitamente.
Me questiono constantemente
Me respeito diariamente.
Eu comigo mesma me tropeço vez ou outra.
Me atropelo na virada de algumas páginas.
Nem sempre penso.
Impulsivamente ajo.
Não tenho medo do perdão, nem da falta dele.

Me basto.
Me aturo.
Me detesto.
E acima de tudo, convivo comigo.
Estando feia, suja ou damamente arrumada.
Com cabelos de fios longos, breves, brancos.
Com a cara que me deram, com o humor que me cabe agora.

Estou pensando em cortar o cabelo, mas não sei como cortar.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Loucura em Cor Pastel

Era tarde da noite. Ela já tinha bebido demais, estava em um estado de não aguentar mais o cheiro daquelas bebidas verde, azul, laranja...
Andava sem se sustentar no salto, puxava a saia pra baixo, passo a passo. E sem conseguir manter o comprimento, puxava a saia pra cima, esquina por esquina. Andou por várias quadras, treinando o que dizer quando a hora chegasse. Andou tanto que estava de volta ao bar, bebendo mais um líquido de cor pastel. Sabe-se lá o nome daquilo. Nem seu nome lembrava. Só o dela que ia e vinha, seguindo o rítmo de seu discernimento.

Depois de duas doses, andou. Andou mais firmemente. Parou em frente ao portão medieval do cemitério e como se estivesse se jogando de um precipício, ligou.
Do outro lado da linha ela atende com voz de sonho. Desse lado da linha a outra responde com pesadelo.

"Me desculpe. Eu te acordei. Amanhã, se eu lembrar disso, vou me arrepender por todas as doses que tomei. Mas como hoje ainda é hoje: Eu estou completamente apaixonada por você!
Não responda nada, na verdade nem queria que você se mexesse agora. Só queria ouvir sua respiração ao pé do ouvido. Me desculpe por te acordar, mas não me mate por sentir o inaceitável."

"Quem tá falando? Você bebeu?"

"Bebi. Bebi tanto que nem sei quem tá falando. Deve ser a loucura em cor pastel que me pegou de surpresa e agora confessa absurdos pra você. Obrigada por me ouvir. Boa noite."

No dia seguinte, ela acordou com a boca seca e a descrença em sua memória. Não era possível que ela tivesse cometido enfim a heresia da confissão. Olha a hora no celular e...uma mensagem.

"Você estava bebada? Pensei ter escutado aquilo tão sobriamente... Obrigada por me acordar."

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Saudades dessa Mulher

O vício de ouvir sua voz agora me pega pelas pernas.
Queria eu poder ter os momentos todos que te afoga em vinho.
Poderia eu te amar ainda mais que ousa minha coragem?

Saudades de tudo o que abraça seu nome.
Saudades de te ver sorrindo ao longe e te ver passar de perto.

Sua presença enche minhas veias de vida.
Seu cheiro ardente me faz cometer suicídios todos os dias.
Morro e vivo pra te ouvir.
E cada vez que me ignora, a solidão me sequestra.

Como ser sem você?
Em qual canto vou me encantar com seu tom aos ouvidos?

Saudades dessa mulher que me fascina.
Saudades dessa mulher....
Apenas aquela mulher que me faz perder o juízo.

Busco seu corpo em minha cama.
Devoro cada pedaço latente, ardente, escondido.
e logo você que só tem olhos pra outros.
tantos outros...
todos os outros....

Maldita entre as mulheres
Escolhi sentir falta de quem a falta não sente.
Daquela que tem a quem se virar,
da que a decência não faz parte.

Escolhi sentir saudades de você.
Saudades dessa mulher!

sábado, 7 de janeiro de 2012

Quer Emagracer?

Salão de beleza é uma onda.
Todo mundo fica sabendo da vida de todo mundo.
E quantas vezes eu ouvi falsamente: "Nossa como você ficou bonita!"
Mas nesse fim de ano eu ouvi uma que não me aguentei.

A manicure conta pra cliente que passou muito mal no Natal.
Comeu uma carne ruim lá que fez ela se arrepender até à cutícula.
Ela só sabe que no dia seguinte, ela não saía do banheiro.

"Menina, me deu uma caganeira... Pensei que eu ia morrer! Não tinha mais nada pra sair, e continuava saindo coisa daqui de dentro!"

E continuou com mais alguns detalhes. E eu ouvindo tudo o que o secador deixava.

"Sabe quando dá aquela dor que contorce a barriga da gente? Então, era dessas que me deu."

E eu achando que já tinha ouvido o pior, vira a cliente e solta:

"Ah, mas é bom. Emagrece. Eu é que queria uma caganeira agorinha. Passava a virada 5 quilos mais magra!"

Então, Feliz Caganeira para todos nós!!

domingo, 13 de novembro de 2011

PEDRAS E PLUMAS

Demorou mas agora eu consigo ver com clareza.
Todas as nuvens que não me deixavam ver meu próprio ser,
agora vão embora como se não tivessem nada a fazer comigo.

Hoje eu me recomponho pedacinho por pedacinho.
Agradeço às energias do universo por me fazerem entender meu caminho.
Esse texto é um texto de transformação.
Ninguém deve se anular para que outros não tenham que ser corajosos.
Ninguém precisa ficar com alguém que acha ser muito complicado,
mas também ninguém precisa ficar com alguém que seja simples a ponto de demonstrar tesão por nada.

Eu estou do tamanho que minha visão pode alcançar.
Talvez as pessoas não devessem ficar juntas,
talvez outras pessoas nunca devessem ficar separadas,
de qualquer forma, eu preciso muito da minha companhia.

Agora, eu estou comigo,
estou me entendendo,
estou me respeitando.
Seja lá qual for meus passos.
São meus e não precisam da vistoria de ninguém.

Não anseio por magoar ninguém.
Não desejo o coração partido de nenhuma das partes,
Mas algo grandioso me espera.
E pressinto até que esse algo grandioso seja da dimensão da minha alma,
o que pode parecer pequena, mas é o que me basta.

Enfim, hoje eu acordei com vontade de viver até cansar.
A partir de hoje eu sigo os meus passos apenas.
Eu faço a minha vontade e dê no que der.
Eu estarei sempre comigo e pra me aguentar eu preciso me respeitar.

Até onde eu sei não há pecado em tentar ser feliz.
Até onde eu sei alguma direção eu tomaria.
Daqui pra frente eu estou pronta para todas as pedras e todas as plumas.

domingo, 6 de novembro de 2011

CONSELHO

O ato de dar conselhos nunca me encantou.
Eu nunca ouvi um pedido sincero de conselhos.
E eu nunca dei um conselho sincero,
porque eles sempre começam com: "Se eu fosse você..."

O erro está aí.
Eu não sou você.
Eu nunca serei você.
Nunca saberei de fato o que te acontece.
Então pra que dar conselhos???

Quem foi que disse que eu tenho que ficar com um pouco de cada coisa?
Por que eu não posso ficar com o máximo de tudo?
Por que eu tenho que ser feliz em conta gotas?
Por que o extraordinário não pode aparecer na minha vida?

Então, se você não sabe o que EU devo fazer,
não diga nada.
Não me venha com esse papo de que momentos bons fazem a grande felicidade.
Momentos bons, são momentos bons, ponto.
Eu estou em busca de algo gigantesco.
Se não for possível, ok.
Mas eu vou procurar até o fim!
Não vou me contentar com doses homeopáticas.
Eu estou sim indo atrás de uma coisa que não sei o nome,
mas sei que eu posso ser muito mais feliz.
E me reservo o direito de não aceitar nada menos que isso!

domingo, 23 de outubro de 2011

Mais uma Dose.

Até quando eu preciso mensurar as coisas erradas que faço?
Até quando terei que ter um emprego que me paga legal?
Até quando terei que dormir com alguém que não me enxerga?

Vou pedir mais uma dose de loucura.
Nem que seja a saideira.
Nem que eu sofra a ressaca de amanhã.
Mas hoje é outro dia.
Hoje é onde me encontro.

E pra aliviar quero beber seu beijo com vinho.
Vou pedir seu corpo pra viagem
pra te ter a toda hora que meu prazer desejar.

E se bem ou mal escrito,
Vou te desenhar com detalhes fotográficos.
Assim, seu retrato me olhará de perto à noite
E terei a sensação de que, mesmo fazendo de conta, você me amou como ninguém.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Andarilho

"Ando tão à flor da pele
que qualquer beijo de novela me faz chorar..."

Ando tão cansada de me sentir separada de mim mesma.
ando tão desacompanhada que me vejo tão de perto.
Perto que me espana.

Ando tão sem porquês que pra onde quer que eu olhe,
os ponto finais me encontram.
Estou terminando quase tudo que começo,
mas não consigo chegar em lugar nenhum.

Ando tão pra frente e pra trás que quanto mais avanço,
mais parada me vejo.
E será mesmo que eu devia sentir algo diferente?

Ando tão preocupada com minha falta de meditação,
que meus dias vão passando automaticamente.
Quase me perco nas datas, quase me esqueço que horas são.

Ando correndo demais.
Com a direção que sabe Deus quem sabe...
E se direita e esquerda se confundem, então parada é que eu vou ficar.

Vejo que agora nada vai mudar,
e que se quiser ser diferente, tenho que mudar até o outro.
Vejo que quase coisa alguma faz muito sentido
e que falando assim nem eu mesmo significo algo.

E olhando pra você distante,
me lembro do doce sabor que é estar perto.
Assim, se me restar alguma outra coisa se não escrever,
não descobri onde encontrar.

Fico aqui mais um pouco,
apaguem as luzes.
Do mais a mais, só os loucos sobreviem.

sábado, 30 de julho de 2011

Vermelho Desumano

Eu não sei como explicar, mas às vezes as palavras ficam engasgadas aqui na garganta e não sei como dizer o óbvio.
Essa coisa lógica de que não me sinto satisfeita.
Fui feita uma criatura mal feita, "malacabada".
O que acontece é que em todas as nuances da minha vida, poucas são as cores que me alegraram.
Até hoje tormentos de lá adiante me perseguem os passos.
Ainda agora me olhei no espelho e vi um negócio tão não definido. Uma feição de alguém que não reconheço. E toda a aura que me envolve é uma longa e embaçada ilusão.
A saudades, o amor, a alegria e a contemplação, muito aos poucos me visitam.
Pé por pé vou dizendo coisas que não conheço, que não entendo
Dizer por dizer vou desenhando passos que não me trazem de volta.
Vou seguindo o caminho das minhas escolhas, que são todas minhas, que são todas tortas.
E todo esse vai e vem me nauseia, me aperta o estômago e embriaga a mente.
No final quem sofre é meu coração, que sem entender para onde olhar, encara sua realidade desnuda.

Amar, eu amo, mas sem saber a quem, nem quando, nem frequência.
O mais nobre dos sentimentos me censurou o direito de expor, de ir às últimas consequências e enxergar o que vinha depois.
E o que vinha depois era de  um tom vermelho desumano.
Tudo o que diz respeito ao amor, à mim, se apresenta com vermelho desumano.
Essa cor que, sem sabor, me arrepia a pele.
Estremece meus alicerces e desnorteia meus sentidos.
E, sentindo tudo isso, só uma imagem vem e vai,
aquela que desenha seu olhar, aquele olhar que me viu tão de frente,
que me apertou o juízo e esmagou minha sensatez. 
Seu olhar vermelho que queimou tudo o que fazia sentido e me levou a completa e intensa loucura.